Virtú e fortuna:

A trajetória da ação desenvolvimentista chinesa e seus desafios contemporâneos

Autores

Palavras-chave:

China, Desenvolvimento, Estratégia, Conjuntura, Estrutura

Resumo

O presente artigo analisa a trajetória de desenvolvimento da China frente a novos constrangimentos e desafios contemporâneos, refletindo sobre sua busca pela construção de “rédeas políticas” ao processo de expansão econômica. Para tanto, retoma-se alguns marcos de sua história recente de modo a interpretá-los à luz de suas estruturas e conjunturas adjacentes. São tematizadas as tensões entre transformação e continuidade, bem como a interação complexa entre economia, política e sociedade no desenho do quadro histórico particular em que se dá a ação desenvolvimentista chinesa nas últimas décadas, a recente internacionalização de sua economia e a projeção de seu poder político e econômico pelo mundo. Busca-se analisar, assim, como tal ação estratégica, ainda que atrelada a um certo horizonte político e, portanto, a compromissos de médio e longo prazo, empenha destreza quando convocada à flexibilidade adaptativa diante das recorrentes transformações da conjuntura global – como num constante esforço de “gestão planejada do imprevisível".

Biografia do Autor

Edemilson Paraná, Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará

Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados sobre as Américas da Universidade de Brasília (UnB). Contato eletrônico: edemilsonparana@ufc.br.

Valéria Lopes Ribeiro, Universidade Federal do ABC

Professor Adjunta do bacharelado em Relações Internacionais e do bacharelado em Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC). Professora permanente dos Programas de Pós-Graduação em Economia Política Mundial (EPM/UFABC) e da Pós-Graduação em Relações Internacionais (PRI/UFABC). Contato eletrônico: val_ribeiro@yahoo.com.br.

Referências

AGLIETTA, M. & LANDRY, Y. La Chine vers la superpuissance. Paris: Economica, 2007.

ALTHUSSER, L. Machiavelli and Us. London, New York: Verso, 1999.

ARRIGHI, G. Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI. São Paulo: Boitempo Editorial, 2008.

ARTUS, P.; MISTRAL, J. & PLAGNOL, V. L’émergence de la Chine: impact économique et implications de politique économique. Paris: Conseil d’Analyse Économique, 2011.

BIJIAN, Zheng. “China’s peaceful rise to great power status”, Foreign Affairs, Council of Foreign Relations, New York, v. 84, n. 5, 2005.

BIJIAN, Zheng. “The internal and external environments of China’s development over the next five years” In: GILL, I.; HUANG, Y. & KHARAS, H. (eds.). East Asian visions. Washington: World Bank, 2006.

BLANKENDAL, N. China’s Energy Supply Security: The Quest for African Oil. Msc Political Science Thesis (International Relations). International School for Humanities and Social Sciences University of Amsterdam, 2008.

BLOODWORTH, D. & BLOODWORTH, C. P. The Chinese Machiavelli: 3000 Years of Chinese Statecraft. London: Transaction Publishers, 2004.

BRAUDEL, F. “O Extremo Oriente” In: Gramática das civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

BRAUDEL, F. La historia y las ciencias sociales. Madrid: Alianza, 1968.

BRITISH PETROLEUM. “British Petroleum Statistic Review”, 2012.

BURLAMAQUI, L. “As finanças globais e o desenvolvimento financeiro chinês: um modelo de governança financeira global conduzido pelo Estado” In: CINTRA, M. A. M; SILVA FILHO, E. B & PINTO, E. C. (orgs.). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015, pp. 277-334.

CHENG, A. História do Pensamento Chinês. São Paulo: Vozes, 2008.

CHESNAIS, F. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996.

CHESNAIS, F. “A emergência de um regime de acumulação mundial predominantemente financeiro”, Estudos Marxistas, São Paulo, Hucitec, n. 3, pp. 19-46, 1997.

CHESNAIS, F. “Introdução geral” In: CHESNAIS, F (org.). A mundialização financeira: gênese, custos e riscos. São Paulo: Xamã, 1998, pp. 11-36.

CHESNAIS, F. “Nova economia: uma conjuntura específica da potência hegemônica no contexto da mundialização do capital”, Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, Rio de Janeiro, 7 Letras, n. 9, pp. 53-85, dez. 2001.

CINTRA, M. A. M. & MARTINS, A. R. A. O papel do dólar e do renminbi no sistema monetário internacional. In: CINTRA, M. A. M. & MARTINS, A. R. A. (org.). As transformações no sistema monetário internacional. Brasília: IPEA, 2013, pp. 211-321.

CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. PINTO, E. C. “Introdução” In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. PINTO, E. C. (orgs). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015, pp. 15-41.

CINTRA, M. A. M. & SILVA FILHO, E. B. “O sistema financeiro chinês: a grande muralha.”In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. & PINTO, E. C. (orgs). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015, pp. 425-490.

CINTRA, M. A. M. & PINTO, E. C. “China em transformação: transição e estratégias de desenvolvimento”, Revista de Economia Política, 2016, mimeo.

COHEN, B. J. “The yuan tomorrow? Evaluating China’s currency internationalization strategy”, New Political Economy, South Yorkshire, v. 17, n. 3, pp. 361-371, July 2012.

CUNHA, A. & ACIOLY, A. “China: ascensão à condição de potência global: características e implicações” In: CARDOSO, J.; ACIOLY, L. & MATIJASCIC, M. (orgs.). Trajetórias recentes de desenvolvimentos. Brasília: IPEA, 2009.

EIA, U.S Energy Information Administration. EIA Analisys Coutries, China., 2013. Disponível em: http://www.eia.gov/countries/cab.cfm?fips=CH. Acesso em: 24/12/2018.

EICHENGREEN, B.; KAWAI, M. Issues for Renminbi Internationalization: An overview.

ADBI Working Paper Series, n. 454, Jan. 2014. Disponível em: <http://www.relooney.com/

NS3040/000_New_476.pdf>.

FAIRBANK, J. K. & GOLDMAN, M. China: uma nova história. Porto Alegre: LP&M, 2006.

FANG, C.; YANG, D. & MEIYAN, W. “Crise e oportunidade: resposta da China à crise financeira global”, Revista Tempo do Mundo, Brasília, IPEA, v. 1, n. 1, dez. 2009.

DEPARTMENT OF THE TREASURY. Federal Reserve Board Data, 2017. https://www.federalreserve.gov/data.htm.

FIORI, J. L. “O sistema interestatal capitalista no início do século XXI” In: FIORI, J. L.; MEDEIROS, C. A. & SERRANO, F. (orgs.). O mito do colapso do poder americano. Rio de Janeiro: Record, 2008, pp. 173-277.

FIORI, J. L. “Brasil e América do Sul: o desafio da inserção internacional soberana” In: ACIOLY, L. & CINTRA, M. A. M. (ed.). Inserção internacional brasileira. Brasília: IPEA, v. 1, 2010.

FIORI, J. L. “Sobre o desenvolvimento chinês”, Valor Econômico, São Paulo, 27, mar. 2013.

FRANZ-STEFAN, G. “Why We Should Study China’s Machiavelli?”, The Diplomat, 22/01/2015. Disponível em: http://thediplomat.com/2015/01/why-we-should-study-chinas-machiavelli/. Acesso em: 24/12/2018.

GOUVEIA, E. M. “Relações econômicas entre China e Malásia: comércio, cadeias globais de produção e a indústria de semi-condutores” In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. & PINTO, E. C. (orgs.). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015, pp. 81-127.

HERNÁNDEZ, J. “Across China, Walmart Faces Labor Unrest as Authorities Stand Aside”, The New York Times, 17/11/2017. Disponível em: <https://www.nytimes.com/2016/11/17/world/asia/across-china-walmart-faces-labor-unrest-as-authorities-stand-aside.html?_r=0>. Acesso em 04/04/2017.

JESSOP, B. State Theory: Putting the Capitalist State in Its Place. Cambridge (UK): Polity, 1990.

KAI, J. “Are China’s Leaders Disciples of Machiavelli?”, The Diplomat, 10/02/2015. Disponível em: <http://thediplomat.com/2015/02/are-chinas-leaders-disciples-of-machiavelli/>. Acesso em 04/04/2017.

KEIDEL, A. “China economic developments, prospects and lessons for the international financial system” In: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Brasil e China no reordenamento das relações internacionais: desafios e oportunidades. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão; MRE, 2011.

KISSINGER, H. A. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

KROEBER, A. “The renminbi: the political economy of a currency”, Foreign policy, 07/09/2011.

KROEBER, A. “The never-ending slowdown”, China Economic Quarterly, Beijing, november 2015.

LARDY, N. R. Sustaining China’s economic growth after the global financial crisis. Washington: Peterson Institute, 2011.

LEÃO, R. P. F. O padrão de acumulação e o desenvolvimento econômico da China nas últimas três décadas: uma interpretação. 2010. Dissertação (Mestrado). Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2010.

LEÃO, R. P. F. “A articulação produtiva asiática e os efeitos da emergência chinesa” In: LEÃO, R. P. F.; PINTO, E. C. & ACIOLY, L. (org.). A China na nova configuração global: impactos políticos e econômicos. Brasília: IPEA, 2011, pp. 115-164.

LIN. “In China, Walmart Retail Workers Walk Out over Unfair Scheduling”, Labor Notes, 2016. Disponível em: <http://www.labornotes.org/2016/07/china-walmart-retail-workers-walk-out-over-unfair-scheduling>. Acesso em: 04/04/2017.

LO, Dic. “Developing or Under-developing? Implications of China’s ‘Going out’ for Late Development”, SOAS Department of Economics Working Paper no. 198, London, 2016a. Disponível em: https://www.soas.ac.uk/economics/research/workingpapers/file113670.pdf

LO, Dic. “China Confronts the Great Recession: ‘Rebalancing’ Neoliberalism, or Else?” In: ARESTIS, P. & SAWYER, M. (eds.) Emerging Economies During and After the Great Recession. London: Palgrave Macmillan UK, 2016b.

LOSURDO, D. Fuga da história? Rio de Janeiro: Revan, 2004.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

MARTI, M. E. A china de Deng Xiaoping. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.

MAZZUCATO, M. O Estado empreendedor: desmascarando o mito do setor público vs. setor privado. São Paulo: Portfolio Penguin, 2014.

MEDEIROS, C. A. “China: entre os séculos XX e XXI” In: FIORI, José L. (org.). Estados e moedas no desenvolvimento das nações. Petrópolis: Vozes, 1999, pp. 379-411.

MEDEIROS, C. A. “The post-war American technological development as a military enterprise”, Contributions to Political Economy, v. 22, n. 1, pp. 41-62, 2003.

MEDEIROS, C. A. “A China como um duplo polo na economia mundial e a recentralização da economia asiática”, Revista de Economia Política, São Paulo, v. 26, n. 3, pp. 381-400, jul./set. 2006.

MEDEIROS, C. A. “Padrões de investimento, mudança institucional e transformação estrutural na economia chinesa” In: BIELSCHOWSKY, R. (org.). Padrões de desenvolvimento econômico (1950-2008): América Latina, Ásia e Rússia. Brasília: CGEE, v. 2.,, 2013, pp. 435-489.

MEDEIROS, C. A. “A China e as matérias-primas” In: BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Brasil e China no reordenamento das relações internacionais: desafios e oportunidades. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão; MRE, 2011. Disponível em: http://funag.gov.br/loja/download/905-Brasil_e_China_no_Reordenamento_das_Relacoes_Internacionais.pdf. Acesso em: 24/12/ 2018.

MIGUEL, L. F. O nascimento da política moderna: de Maquiavel a Hobbes. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2015.

MILLER, T. “A dream of Asian Empire”, Gavekal Dragonomics, Beijing, december 2014.

MITCHEL, R. “Is ‘China’s Machiavelli’ Now Its Most Important Political Philosopher?”, The Diplomat, 16/01/2015. Disponível em: <http://thediplomat.com/2015/01/is-chinas-machiavelli-now-its-most-important-political-philosopher/>.

NOGUEIRA, I. “A política regional da China e os processos de integração na Ásia” In: Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional – III CNPEPI: (2: Rio de Janeiro: 2008): O Brasil no mundo que vem aí. Seminário: China. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, pp. 289-326, 2008.

NOGUEIRA, I. Desenvolvimento econômico, distribuição de renda e pobreza na China contemporânea. Tese (Doutorado) – Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

NOGUEIRA, I. “Cadeias produtivas globais e agregação de valor: a posição da China na indústria eletroeletrônica de consumo”, Revista tempo do mundo, Brasília, v. 4, n. 3, ago. 2012.

NOGUEIRA, I. “Desigualdades e políticas públicas na China: investimento, salários e riqueza na era da sociedade harmoniosa” In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. & PINTO, E. C. (orgs.). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015ª, pp. 237-273.

NOGUEIRA, I. “Políticas de fomento à ascensão da China nas cadeias globais de valor” In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. & PINTO, E. C. (orgs.). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015b, pp. 45-79.

OCAMPO, J. A. & ERTEN, B. “The Global Implications of Falling Commodity

Prices”, 2013. Disponível em http://www.project-syndicate.org/commentary/china-s-growthslowdown-and-the-end-of-the-commodity-price-super-cyle-by-jose-antonio-ocampo-andbilge-erten#iRdPGvyaBZhv1xRW.99. Acesso em: 24/12/2018.

OECD. OCDE Data. 2017, 2018. https://data.oecd.org/. Acesso em: 24/12/2018.

OECD. “Trade in Value Added: China”” In: OCDE-WTO. Trade in Value Added. 2015.

PARANÁ, E. A Finança Digitalizada: capitalista financeiro e revolução informacional. Florianópolis: Insular, 2016.

PINTO, E. C. “O eixo sino-americano e a inserção externa brasileira: antes e depois da crise” In: ACIOLY, L. & CINTRA, M. (org.). Inserção internacional brasileira, v. 2 Brasília: IPEA, 2010.

PINTO, E. C. “O eixo sino-americano e as transformações do sistema mundial: tensões e complementaridades comerciais, produtivas e financeiras” In: LEÃO, R. et alii A China na nova configuração global: impactos políticos e econômicos. Brasília: IPEA, 2011.

PINTO, E. C. A integração econômica entre a China e o Vietnã: estratégia plus one, investimentos e cadeias globais. In: CINTRA, M. A. M.; SILVA FILHO, E. B. & PINTO, E. C. (orgs.). China em transformação: dimensões econômicas e geopolíticas do desenvolvimento. Rio de Janeiro: IPEA, 2015, pp. 81-125.

ROSSI, C. “Como fica o Brasil diante do G2?”, Folha de São Paulo, São Paulo, p. A10, 22/01/2010.

SHAMBAUGH, D. China Goes Global – A partial power. Oxford University Press, 2013.

STURGEON, T. “Modular production networks: a new American model of industrial organization”, Industrial and Corporate Change, v. 11, n. 3, pp. 451-496, 2002.

SWIFT. 50 countries are now using the RMB for more than 10% of their payments value with China and Hong Kong. Brussels, 26/11/2014.

TAVARES, M. C. E BELLUZZO, L.G. de Mello, “A mundialização do capital e a expansão do poder americano”, in: O poder americano, Fiori, J.L. (org.), Rio de Janeiro, Vozes, 2004

UNCTAD. Global value chains and development: investment and value added trade in the global economy. Geneva: UNCTAD, 27/02/2013. Disponível em: <http://unctad.org/en/pages/newsdetails.aspx?OriginalVersionID=411>. Acesso em: 24/12/2018.

VAROUFAKIS, Y. O minotauro global: a verdadeira origem da crise financeira e o futuro da econoa global. São Paulo: Autonomia Literária, 2016.

WEI, Shang-Jing; ZHUAN Xie & XIAOBO Zhang. “From ‘Made in China’ to ‘Innovated in China’: Necessity, Prospect, and Challenges”. NBER Working Paper n. 22854, november 2016.

WEIGUANG, Wang. “A reforma, a abertura e a rota do desenvolvimento chinês” In: Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional – III CNPEPI: (2: Rio de Janeiro: 2008): O Brasil no mundo que vem aí. Seminário: China. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, pp. 187-212, 2008.

WORLD BANK DATABASE, 2017, 2018.

WU JIGLIAN. Understanding and interpreting Chinese economic reform. Mason: Thomson, 2005.

WU JIGLIAN. “Does China need to change its industrializations path?” In: GILL, I.; HUANG, Y. & KHARAS, H. (eds.). East Asian visions. Washington: World Bank, 2006.

Downloads

Publicado

2019-12-16