A Teoria das Crises Financeiras

uma apreciação crítica

Autores

  • Cláudio Gontijo Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

Palavras-chave:

crise financeira;, fragilidade financeira, teoria marxista das crises

Resumo

Este artigo procura analisar as crises financeiras do ponto de vista teórico, realizando uma apreciação crítica, ainda que sumária, das suas principais explicações. Assim, examina (i) as teorias monetárias, fundamentadas nas discrepâncias entre oferta e demanda por moeda; (ii) o enfoque novo keynesiano, baseado na assimetria de informações; (iii) a abordagem keynesiana, fundada na ideia de que as crises resultam de flutuações da eficácia marginal do capital provocadas por mudanças nas expectativas; (iv) a hipótese da fragilidade financeira de Minsky; (v) a teoria marxista, assentada na ideia de que as crises são fenômenos complexos que resultam da conjugação entre o impulso à acumulação de capital, a tendência decrescente da taxa de lucro, a expansão creditícia e a especulação financeira. Conclui em favor da explicação marxista, que se baseia na concepção do crédito como “contradição sem termo médio”: a expansão creditícia não apenas permite o distanciamento da produção do consumo, mas também produz o “descolamento” da valorização do capital financeiro, que gera a crescente fragilidade financeira que desemboca nas crises.

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Publicado

2021-08-26