Quando a virtude é o problema

a atualidade de Celso Furtado

Autores

Palavras-chave:

Celso Furtado, desenvolvimento econômico, democracia, América Latina

Resumo

O objetivo principal do artigo é resgatar a atualidade da obra de Celso Furtado, a qual, mesmo diante das transformações econômicas, tecnológicas e sociais das últimas décadas, contém teses, reflexões e valores que perduram. Para tanto, elege dois aspectos para abordar, os quais, eles mesmos, foram ressaltados por Furtado como norteadores de seu trabalho: a construção e fixação da categoria subdesenvolvimento na análise econômica e o entendimento, não usual em sua época, de que para sua superação não se poderia prescindir da democracia. O artigo parte da gênese das ideias de atraso e progresso no Brasil, ainda no Império, até chegar à de subdesenvolvimento, na década de 1950, e a seguir retoma as reflexões sobre liberdade e democracia de Furtado, geralmente pouco lembradas na vasta literatura sobre sua obra.

Biografia do Autor

Pedro Cezar Dutra Fonseca, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professor Titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Referências

AREND, Marcelo. “A industrialização do Brasil ante a nova divisão internacional do trabalho”. In: CALIXTRE, B.; BIANCARELLI, A. M. & MACEDO CINTRA, M. A. Presente e futuro do desenvolvimento brasileiro. Brasília: IPEA, 2014, pp. 375-421.

BACKES, Ana L. Fundamentos da ordem republicana: repensando o pacto de Campos Sales. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, UFRGS, Porto Alegre, 2004.

BOIANOVSKY, Mauro & MONASTERIO, Leonardo. “O encontro entre Douglass North e Celso Furtado em 1961: visões alternativas sobre a economia nordestina”, Revista Brasileira de Economia, n. 3, v. 72, pp. 275-291, Rio de Janeiro, 2018.

BORGES, Maria Angélica. Eugênio Gudin: capitalismo e neoliberalismo. São Paulo: EDUC, 1996.

FARIA, Ivan; SILVA, Victor & CAVALIERI, Marco. “Eugênio Gudin e as influências internacionais na defesa de sua agenda econômica liberal: o hiperemprego e o livre-comércio”, Análise Econômica, n. 77, v. 38, pp. 33-56, Porto Alegre, set. 2020

FONSECA, Pedro C. Dutra. “As origens e as vertentes formadoras do pensamento cepalino”, Revista Brasileira de Economia, n. 3, v. 54, Rio de Janeiro, jul./set. 2000.

________. “Gênese e precursores do desenvolvimentismo no Brasil”, Pesquisa & Debate, N. 2(26), v. 15, pp. 225-256, São Paulo: PUCSP, jul./dez. 2004.

________. “Do progresso ao desenvolvimento: Vargas na Primeira República”. In: BASTOS, Pedro P. Z. & FONSECA, Pedro C. D. A era Vargas: desenvolvimentismo, economia e sociedade. São Paulo: Editora da UNESP, 2012.

________. Vargas: o capitalismo em construção. São Paulo: DIFEL, 2014a, 3ª. ed.

________. “Desenvolvimentismo: a construção do conceito”. In: CALIXTRE, B.; BIANCARELLI, A. M. & MACEDO CINTRA, M. A. Presente e futuro do desenvolvimento brasileiro. Brasília: IPEA, 2014b, pp. 29-78.

________. “A atualidade de Celso Furtado”, Boletim do Grupo de Estudos de Economia e Política, GEEP/IESP—UERJ, n. 3, pp. 6-7, Rio de Janeiro, 2020.

FURTADO, Celso. A economia brasileira. Rio de Janeiro: A Noite, 1954.

________. Uma economia dependente. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura, 1956.

________. Perspectivas da economia brasileira. Rio de Janeiro: ISEB, 1958.

________. Formação econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.

________. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.

________. Dialética do desenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1964.

________. Teoria e política do desenvolvimento econômico. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967.

________. Criatividade e dependência na civilização Industrial. São Paulo: Círculo do Livro, 1978.

________. Teoria e política do desenvolvimento econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1983 [Coleção “Os economistas”].

________. Obra autobiográfica – Celso Furtado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997, 3v.

________. Introdução ao desenvolvimento: enfoque histórico-estrutural. São Paulo: Paz e Terra, 2000, 3ª. ed.

________. Formação econômica do Brasil – edição comemorativa. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

________. Essencial Celso Furtado. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2013.

GUDIN, Eugênio & SIMONSEN, Roberto. A controvérsia do planejamento na economia brasileira. Rio de Janeiro: IPEA/INPES, 1978, 2ª.ed.

MALLORQUIN, Carlos. Celso Furtado: um retrato intelectual. São Paulo, Rio de Janeiro: Xamã, Contraponto, 2005.

MATUTE, Álvaro. México en el siglo XIX, fuentes e interpretaciones históricas. Lecturas Universitarias, n. 12. México: UNAM, 1984.

PELÁEZ, Carlos M. “Resenha bibliográfica”, Revista Brasileira de Economia, n. 4, v. 25, pp. 267-269, Rio de Janeiro: FGV, 1971.

PESAVENTO, Sandra. “República Velha gaúcha: Estado autoritário e economia” In: DACANAL, José Hildebrando & GONZAGA, Sergius (orgs.). RS: economia e política. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1979, pp. 193-255.

SALOMÃO, Ivan. O desenvolvimento em construção: um estudo sobre a pré-história do pensamento desenvolvimentista brasileiro. Tese (Doutorado em Economia) – Programa de Pós-Graduação em Economia, UFRGS, Porto Alegre, 2013.

SARTORI, Giovanni. "Concept misformation in comparative politics", American Political Science Review, n. 64, pp. 1033-1053, 1970.

________. "Guidelines for concept analysis" In: SARTORI, G. (org.). Social Science Concepts: A Systematic Analysis. Beverly Hills: Sage Publications, 1984.

SILVA, Victor Nunes Leal Cruz e. Economia keynesiana ou a economia de Keynes? Notas sobre a transmissão do ideário de Keynes no Brasil através do livro “Princípios de economia monetária” de Eugênio Gudin. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Econômico) – UFPR, Curitiba, 2016.

ZEA, Leopoldo. El positivismo en México: nacimiento, apogeo y decadencia. México: FCE, 1993.

Downloads

Publicado

2021-06-06