Uma investigação sobre a probabilidade de inserção em ocupações de classes médias
o papel da estrutura produtiva na mobilidade social brasileira (2016-2023)
DOI:
https://doi.org/10.69585/2595-6892.2026.1232Palavras-chave:
classe média, estrutura produtiva, modelo logit, mobilidade socialResumo
Este artigo tem como objetivo investigar o impacto da estrutura produtiva brasileira sobre as chances dos indivíduos com 14 anos ou mais encontrarem uma ocupação de classe média no período 2016-2023. Secundariamente buscou-se analisar a evolução da participação e renda relativa dessa classe
social no período de interesse. Essas análises foram realizadas a partir dos microdados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio Contínua (PNADC) e do modelo de regressão logística (logit). Os principais resultados
indicam que o aumento da renda média domiciliar per capita (RDPC), embora positivo, não é condição suficiente para possibilitar a ascensão social no Brasil. Entre os principais fatores determinantes dessa ascensão destacaram-se o nível educacional (sobretudo, o ensino superior), setor de atividade (especialmente segmentos da tecnologia de informação e serviços
de comunicação, profissionais e administrativos), local de residência (zona urbana e regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste), sexo masculino, rendimento de aluguel ou arrendamento e RDPC elevada. As influências de
fatores estruturais, institucionais, familiares e inatos evidenciaram que a ascensão social não depende somente do esforço ou mérito individual, bem
como revelaram a importância de políticas educacionais, de inclusão social, de combate à discriminação e à desigualdade e, sobretudo, de um papel ativo
do Estado na promoção de uma mudança estrutural positiva que amplie a participação relativa de setores de maior dinamismo e intensivos em mão de obra qualificada, criando, assim, mais ocupações de classes médias.
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