Amazônia em disputa
das engrenagens do capital às pegadas invertidas
DOI:
https://doi.org/10.69585/2595-6892.2026.1292Palabras clave:
Amazônia, colapso socioecológico, capitalismo predatório, territorialidades, justiça socioambiental, AmazonResumen
O artigo analisa as múltiplas dimensões do colapso socioecológico e seus
impactos específicos sobre a Amazônia, a partir da formação socioeconômica
brasileira e do avanço da financeirização da vida, inclusive da
natureza. Examinam-se os limites da modernização tecnológica subordinada
ao extrativismo verde e à expansão agropecuária, evidenciando
a instrumentalização da Amazônia como nova fronteira de acumulação.
Sustenta-se que a região não constitui apenas um território de abundância
de recursos naturais, mas o epicentro de disputas, sendo mobilizada
como chave interpretativa para desvelar a continuidade histórica de
dinâmicas neocoloniais e expropriadoras, aprofundando as assimetrias
entre Norte e Sul Global. A análise estrutura-se em três eixos: (I) a inserção
subordinada da Amazônia no mercado mundial à luz do sociometabolismo
do capital em seus efeitos materiais e simbólicos; (II) os
impasses da questão agrária brasileira, particularmente no território
amazônico, marcados pela concentração fundiária e avanço da fronteira
agropecuária; e (III) a chamada “retomada verde”, articulada a mercados
de carbono e a dispositivos de certificação, compensação e rastreabilidade
ambiental, que convertem a floresta em ativo financeiro. Conclui-se
que uma transição socioecológica justa requer a ruptura com a lógica de
reprodução capitalista e o reconhecimento da Amazônia como território
de resistência, regeneração e soberania.
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