Quão extrativista é o país das commodities?

Um olhar biofísico para a balança comercial brasileira (1971-2023)

Autores/as

  • Anderson Henrique dos Santos Araújo Universidade Federal de Alagoas
  • Daniel Caixeta Andrade

DOI:

https://doi.org/10.69585/2595-6892.2026.1334

Palabras clave:

metabolismo socioeconômico, comércio ecologicamente desigual, balança comercial biofísica, intensidade material

Resumen

O presente trabalho apresenta o perfil do comércio exterior brasileiro
entre 1971 e 2023 com ênfase na balança comercial biofísica, dada pela
diferença entre importações biofísicas e exportações biofísicas, categorizadas
em biomassa, combustíveis fósseis, minerais metálicos e minerais
não-metálicos. A análise compreendeu o período de 1971 a 2023, amplo
o suficiente para incorporar diferentes ciclos de crescimento da economia
brasileira. Partindo da perspectiva teórica do intercâmbio ecológico
desigual e do neoextrativismo – e usando o arcabouço metodológico do
metabolismo socioeconômico –, os resultados indicam que nas cinco décadas
analisadas ocorreu um aumento significativo do déficit da balança
comercial biofísica, reforçando a posição brasileira de fornecedor líquido
de materiais. A intensidade material dos fluxos seguiu trajetórias opostas:
enquanto a intensidade material das exportações aumentou, sinalizando
a desvalorização por unidade de massa, a intensidade material das
importações reduziu. Essa dinâmica de intensificação da carga material
nas exportações em contraste com a relativa “desmaterialização” das importações
é capturada pelo quociente π e indica uma piora do ponto
de vista material e de sustentabilidade da inserção brasileira nos fluxos
de comércio exterior, compatível com uma deterioração da desigualdade
ecológica do comércio exterior do Brasil.

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Publicado

2026-09-01